back to where I once belong + when I’m 64
Finda-se a temporada Euclidense, e eu nem li Os Sertões, nem visitei o que sobrou do Arraial, duas promessas que fiz a mim mesmo antes de ir para as bandas de lá. O Arraial estava debaixo d’água e só vai aparecer na temporada da seca—é uma desculpa, pelo menos. Mas e o livro? Como é que eu vou encarar meus netos e dizer que não li a porra do livro? O jeito vai ser mentir, dizer que a melhor parte é a d’A Luta, etc. e tal. Não há avô legal que não seja loroteiro; quanto mais ele mente, mais amado ele é. Mentir para os netos e ser admirado por isso é uma prerrogativa que a gente passa a ter à medida que vai perdendo as capacidades de controlar o esfíncter e de manter uma ereção. E depois ainda dizem que a vida não é justa.
5 Comments
This entry is filed under Uncategorized.
You can also follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed.
Or perhaps you're just looking for the trackback and/or the permalink.

A solução é envelhecer e virar pinóquio.
“Mas e o livro? Como é que eu vou encarar meus netos e dizer que não li a porra do livro?”
Com orgulho!
Se os meus netos fossem o tipo de pessoa que se decepciona com isso, eu deserdava.
-Nao leu Os Sertoes, vo?
-Nao. Estava ocupado lendo literatura inglesa, francesa e russa.
-Mas e as nossas coisas, vo? E a nossa realidade?
(Nesse ponto eu deserdo.)
Essa galera invocadinha e sarcástica me dá cansaço, principalmente quando chega aos 40. Enfim, Os Sertões é uma obra-prima, e isso não tem nada a ver com a “nossa realidade”.
Ah, feliz aniversário.
é uma das grandes coisas de envelhecer. eu tenho, tu deve de ter tb, muitos ideiais de velhice.
(e a piadinha do ass – oi, ass! – valia com qualquer.br, menos Os Sertões, pq po :~
Os Sertões tu bota a mão no peito e faz “po :~”)
Aquela história… promessas existem pra serem quebradas.
Mas ainda é tempo, sempre é tempo.