back to where I once belong + when I’m 64

ago 20th, 2009 by tiago a. in Uncategorized

Finda-se a temporada Euclidense, e eu nem li Os Sertões, nem visitei o que sobrou do Arraial, duas promessas que fiz a mim mesmo antes de ir para as bandas de lá. O Arraial estava debaixo d’água e só vai aparecer na temporada da seca—é uma desculpa, pelo menos. Mas e o livro? Como é que eu vou encarar meus netos e dizer que não li a porra do livro? O jeito vai ser mentir, dizer que a melhor parte é a d’A Luta, etc. e tal. Não há avô legal que não seja loroteiro; quanto mais ele mente, mais amado ele é. Mentir para os netos e ser admirado por isso é uma prerrogativa que a gente passa a ter à medida que vai perdendo as capacidades de controlar o esfíncter e de manter uma ereção. E depois ainda dizem que a vida não é justa.

5 Comments

  • A solução é envelhecer e virar pinóquio.

  • “Mas e o livro? Como é que eu vou encarar meus netos e dizer que não li a porra do livro?”
    Com orgulho!
    Se os meus netos fossem o tipo de pessoa que se decepciona com isso, eu deserdava.
    -Nao leu Os Sertoes, vo?
    -Nao. Estava ocupado lendo literatura inglesa, francesa e russa.
    -Mas e as nossas coisas, vo? E a nossa realidade?
    (Nesse ponto eu deserdo.)

  • Essa galera invocadinha e sarcástica me dá cansaço, principalmente quando chega aos 40. Enfim, Os Sertões é uma obra-prima, e isso não tem nada a ver com a “nossa realidade”.
    Ah, feliz aniversário.

  • é uma das grandes coisas de envelhecer. eu tenho, tu deve de ter tb, muitos ideiais de velhice.
    (e a piadinha do ass – oi, ass! – valia com qualquer.br, menos Os Sertões, pq po :~
    Os Sertões tu bota a mão no peito e faz “po :~”)

  • Aquela história… promessas existem pra serem quebradas.
    Mas ainda é tempo, sempre é tempo.