fevereiro, 2009 Archives
fev
das coisas que o título deste distinto blog traz
by tiago a. in Uncategorized
Ainda não haver me extinguido não impede que eu já vá usufruindo da maior benesse que minha morte poderá trazer: o interesse póstumo por minha remotamente (espero) futura ex-pessoa. Ocasionalmente, mo diz o Sitemeter, linhas tão mal-digitadas quanto estas atraem seres que se deixam mover por um sentimento a que costumo dar o nome de curiosidade mórbida precoce, à falta de outro. Essa semana, por exemplo, trouxe a este blog gente desejosa de render “omenagem a memoria de thiago” e gente querendo saber “quem era tiago“. Também trouxe para cá ao menos um mamífero à caça da biografia, ainda não-escrita, que bem poderá receber o título “tiago a vida” se outro melhor não se arranjar―biografia para cuja epígrafe, aproveitando o ensejo, recomendo seja usada a mesma mensagem que quero impressa em minha lápide: “Que os póstumos me tratem com a complacência que não vi em meus contemporâneos; mas se isso for pedir demais, pelo menos dêem um jeito de ir fumar crack longe do meu túmulo, rebanho de drogados.”
fev
não é favela
by tiago a. in Uncategorized
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a touch of stimulus
by tiago a. in Uncategorized
Gay Talese, que se veste tão bem quanto escreve, empresta seu talento aos necessitados.
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Cheever
by tiago a. in Uncategorized
E finalmente John Cheever chega à Library of America. Há dois livros. Complete Novels é um, o que eu quero (por favor me dêem). O outro “is the largest collection of Cheever’s stories ever published, and celebrates his indelible achievement by gathering the complete Stories of John Cheever (1978), as well as seven stories from The Way Some People Live and seven additional stories first published in periodicals between 1930 and 1953. Also included are several short essays on writers and writing, including a previously unpublished speech on Saul Bellow.”
Assombroso o modo como ele termina o ensaio intitulado Why I Write Short Stories. Duas páginas e meia, vá ler. Vejo aqui ocasião azada para lembrar a tradução de Reunion pierremenardamente elaborada por meu cachorro antes de saber que PHB já tinha feito o mesmo há mais de duas décadas e com muito mais destreza, como sói ser.
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quer saber o que alan moore acha de the wire?
by tiago a. in Uncategorized
“It’s probably one of the best pieces of television I’ve ever seen. The only problem with it is that it makes everything else looks kind of sad and poorly written and poorly conceived. The fact is, that as, I think [series creator] David Simon justifiably says somewhere on the closing extra features,’ ‘Everything we raised, we resolved.’ And just that simple statement explains why ‘The Wire’ is so far ahead of any other television that I’ve seen. Every tiny little thing, even inconsequential things that were raised in the first series, were incredibly, dramatically resolved by the end of the fifth. It bears going back and watching again, probably several times.” [+]
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voltem, desgraçados!
by tiago a. in Uncategorized
“Ter quem compre seu trabalho—não consigo conceber estímulo maior do que esse. Nunca escrevo—na verdade, sou fisicamente incapaz de escrever uma coisa se não acho que vão pagar por ela”, disse Truman Capote, numa entrevista. Talvez esteja aí, nessa declaração honesta, parte da razão por que tanta gente boa está deixando de escrever de graça na internet. Afastando-se do modelo pioneiro, o americano, que sempre prezou mais a oferta de links para paragens interessantes, os bons blogs brasileiros sempre foram lugares de muito texto, e não faz muito tempo, se você estava atrás de gente nova e talentosa escrevendo em português, era a eles que você recorria.
Só que está cada vez mais raro encontrar bons blogs brasileiros à antiga1, e para piorar, inda estamos assistindo a um pendurar de chutei— (digo) teclados que periga nos levar de volta àquele tempo (ca. 2003, 2004) em que descobrir um blog brasileiro bom era motivo para sair enviando e-mails para todos os amigos. O que também teria seu charme se fosse acontecer mesmo, de novo, porém algo me diz que não vai, e isso é chato.
Claro que inda temos muita gente boa escrevendo por gosto, mas quem viveu aquele período sabe exatamente do que é que eu estou falando. Ainda assim, acho que temos mais é que dar graças por ter tido tanto profissa escrevendo na internet sem ganhar um puto, botando um monte de guri tipo eu com vontade de escrever também. Toparam fazê-lo por um tempo, “talvez porque no Brasil tenha muito menos jornal ou revista pras criaturas mostrarem o seu talento”, como cogitou um deles; mas nenhuma festa dura para sempre, Capote tinha razão. Enquanto isso, as crônicas de Carlos Heitor Cony continuam saindo em 300 jornais, e o Brasil segue sendo um país de todos.
De qualquer modo, os arquivos, que não me deixam mentir, estão todos aí para serem vasculhados; waybackmachine sempre pode ser uma alternativa também.
[1] (com “antiga” aqui significando “aproximadamente cinco anos”)↩
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as regras updikianas
by tiago a. in Uncategorized
Sérgio Rodrigues rememora, vertendo para o vernáculo, as cinco (ou seis) regras de John Updike para uma boa resenha literária.
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a/c rogério aka ruy goiaba
by tiago a. in Uncategorized
Matéria da Trip sobre a Igreja Ortodoxa Africana de São John Coltrane.
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fakery
by tiago a. in Uncategorized
Quanto mais adentramos este milênio, mais céticos ficamos; todo mundo niilista, em nada crendo. Este garoto, por exemplo, cuja imagem se explora no youtube após a ministração do que parecem ser drogas, este garoto inocente, apático, anestesiado, indagando “is this real life” & “feelin’ funny”—suponhamos que daqui uns dias se descubra que foi tudo encenação. Se isso acontecer—e você bem sabe que há uma chance de isso acontecer, uma chance que não é pequena—, tomaremos este garoto, este ator-mirim a serviço de não sabemos quem, como mais um símbolo deste nosso tempo, em que tudo é fingido, nada é o que parece? Vivemos com o pé atrás. O negócio tá tão brabo que, se filmassem uma Paixão de Cristo ambientada no início do século XXI, Tomé teria que receber a notícia do Jesus ressurecto e desdenhar “que nada, rapá, isso é viral”.
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25 notas sobre nossa pessoa A/C Posteridade
by tiago a. in Uncategorized
Nós (saiba, você que achou que não poderia haver experiência mais chata que ler 25 coisas sobre nossa pessoa, que inda faremos isso valendo-nos gratuitamente do Eu Majestático):
1) éramos criança quando o seguinte aconteceu. (É possível que esta seja a nossa memória mais antiga). Estávamos no quintal da casa de nossa avó, brincando, quando fomos surpreendidos pela aparição de um pequenino felino. Julgamo-lo deveras bonitinho e decidimos afagar-lhe o pelo; em troca, recebemos uma unhada. Naquele momento descobrimos quão cruel e hostil o mundo é.
2) até esta semana que ora atravessamos, ainda não tínhamos lido In Cold Blood, de Capote—e, oh, como nos arrependemos (de não ter lido antes, né).
3) só saímos da Bahia para irmos a três cidades: Goiânia, Brasília e Recife.
4) já fomos uma liderança estudantil (rs). E comunista (rsrs). Já fomos crentes também.
5) encontramos, há algumas semanas, trabalhando como atendente num café no shopping, a menina que nos deu nosso primeiro beijo na boca. Por alguma razão, não reunimos coragem suficiente para comunicar-lhe que a tinhamos reconhecido.
6) comparecemos anteontem ao show da Nação Zumbi na Concha do TCA. Bebemos o suficiente para garantir a excelência da apresentação.
7) consideramos que Obama, como todo político, é descarado e, nalgum momento, de alguma maneira, vai miserar nossa existência.
estamos cultivando pelos faciais e resistindo bravamente à pressão social que clama pelo advento do barbeador sobre eles.
9) não temos a mínima idéia de como preencher as próximas notas e receamos que você já tenha abandonado a leitura.
10) vamos continuar, mesmo assim. Mas não sem antes darmos uma passadinha na cozinha, onde obteremos um copo d’água.
11) estamos de volta.
12) já tivemos vários apelidos. Se considerarmos apenas aqueles de que presentemente nos lembramos, chegaremos à seguinte lista: Bico de Pato, Bica, Lisão, Purita, Jequié, Cara de Cachorro, TPM e Herege.
13) tivemos nosso caráter forjado pelo Mestre dos Magos.
14) lemos todo o Sítio do Pica-Pau Amarelo e reputamo-lo o ápice da literatura nacional, à sombra do qual se encontra todo o resto, inclusive Machado de Assis.
15) gostamos de elaborar comentários prenhes de hipérbole, como esse último re Machado de Assis, apenas para causar.
16) queríamos voltar às aulas de Francês, mas também temos considerado a ideia de investir a grana em aulas de Alemão.
17) não temos paciência para o noticiário local, nacional e internacional.
18) não temos opinião sobre Gaza.
19) não somos de Direita. Não somos de Esquerda. Politicamente, definimo-nos como de Acima©. Acima dessa chatice.
20) queríamos ter nascido rico e aposentado, mas não rolou.
21) cremos ser demasiado o tempo que despendemos na internet, em atividades como esta, muito embora quase nunca nos ocorra nada melhor para fazer, além de dormir. “What is a man,/ If his chief good and market of his time/ Be but to sleep and feed?”, pergunta o Bardo. “Tiago”, dizemos nós.
22) detestamos teatro, mas o frequentamos, ocasionalmente.
23) nessas ocasiões, quase sempre somos saudados com a visão da bunda de algum ator e indagamos por que a bunda nunca é a da atriz.
24) apreciávamos tocar campainhas e sair correndo.
25) pedimos desculpas por qualquer mal que já lhe tenhamos causado, juramos que não foi nossa intenção e brindamos nossa amizade com esta versão que Mario Ulloa fez para Lamentos do Morro, de Garoto.
