dezembro, 2008 Archives
dez
adeus, ano velho
by tiago a. in Uncategorized
Embora o .pdf já fosse facilmente baixável, há algum tempo, nas internets da vida, a Gourmet republicou o único ensaio que David Foster Wallace escreveu pra lá, Consider the Lobster, em que ele trata de lagostas e Ética, mas
Before we go any further, let’s acknowledge that the questions of whether and how different kinds of animals feel pain, and of whether and why it might be justifiable to inflict pain on them in order to eat them, turn out to be extremely complex and difficult. And comparative neuroanatomy is only part of the problem. Since pain is a totally subjective mental experience, we do not have direct access to anyone or anything’s pain but our own; and even just the principles by which we can infer that others experience pain and have a legitimate interest in not feeling pain involve hard-core philosophy—metaphysics, epistemology, value theory, ethics. The fact that even the most highly evolved nonhuman mammals can’t use language to communicate with us about their subjective mental experience is only the first layer of additional complication in trying to extend our reasoning about pain and morality to animals. And everything gets progressively more abstract and convolved as we move farther and farther out from the higher-type mammals into cattle and swine and dogs and cats and rodents, and then birds and fish, and finally invertebrates like lobsters.
Dave Wallace foi o maior ensaísta surgido nos últimos 50 anos. Em mesas de bar, costumo palpitar embriagadamente que em 2108 ele será lembrado mais por sua obra não-ficcional do que por Infinite Jest. Depois que um assunto era tema de um artigo de DFW, minha cabeça só conseguia pensar nele lembrando (1) que DFW já tinha escrito sobre aquilo e (2) o modo como ele tinha feito isso. Sua assinatura está presente em cada palavra, parágrafo, seção; é como uma marca-d’água. A leitura de seus ensaios e reportagens produz uma experiência transformadora. Não sou o único a pensar assim. Pare tudo o que você estiver fazendo agora e vá ler imediatamente os livros A Supposedly Fun Thing I’ll Never Do Again e Consider Lobster se você ainda não fez isso. A maioria dos artigos lá contidos você pode encontrar na internet (noutra hora digo onde, aqui mesmo neste post). Que esses livros ainda não tenham sido editados em português para serem lidos em todas as faculdades de ciências humanas e de jornalismo do Brasil é algo que eu não consigo compreender. 2008 foi o ano a partir do qual passei a conviver com a certeza de que meu futuro não reservaria novos ensaios/reportagens dele. Escolhi aguardar 2009 pensando nessa perda enorme. Que todos nós tenhamos um feliz Ano Novo.
dez
meu guru às avessas
by tiago a. in Uncategorized
Ligo a TV pra ver se ela ainda está funcionando e topo, na Record News,1 com o inexpugnável Ed Motta. Ah, Ed Motta: como explicar o fascínio que sua imagem exerce sobre minha pessoa? Impossível expôr neste post a maneira como você se tornou meu guru às avessas—eu, desde menino, fazendo todo o esforço possível para ser precisamente aquilo que você não é.
Sempre achei impressionante o jeito como você vai estragando todas as coisas boas da vida à medida que as elogia, Ed Motta. Agora há pouco, por exemplo, você não viu, mas uma lágrima quente escorreu sobre minha face quando ouvi você dizer que gostava do Jacques Tati que só terei a honra de conhecer no céu, Jacques Tati cuja figura sempre me lembra o tio francês engraçado que eu não tive (legal e bacana como só os tios legais podem ser).
Jacques Tati

Ed Motta
Quem acha que estou sendo muito duro não ouviu Ed Motta declarar (sem ironia) que a medida segundo a qual ele mesmo julga seu trabalho é dada pelo que fizeram Charles Mingus e John Coltrane e que ele, portanto, ainda precisa, abro aspas, “andar muito”. Tampouco viu a apresentadora loira assentir ram-ram como se tivesse acabado de ouvir uma frase comum que pessoas podem sair dizendo assim, impunemente. Ed Motta, Ed Motta…que diz uma coisa dessas e não espera que seus interlocutores gargalhem apontando o dedo para sua cara barbada e horripilante…de onde vem tanta autoconfiança? Me dá essa dica aí! É alguma coisa que você come, tipo espinafre? É Biotônico Fontoura?
Pra encerrar, uma confissão (seguida de uma pergunta): sempre que ouço alguém dizer que gosta de gastronomia, de vinhos, de filmes antigos, de vinil, reajo fitando o fundo dos olhos desse ser humano e pensando no quanto ele se parece com Ed Motta. Isso faz de mim um cara preconceituoso e mesquinho, que vai envelhecer sozinho, abandonado por todos?
[1] (aliás, quem foi que teve a brilhante idéia de dar a esse canal um nome assim tão original?)↩
dez
os piores versos da música brasileira
by tiago a. in Uncategorized
Na noite de Natal, enquanto você se empanturrava de farofa, Polli selecionava os piores versos da música brasileira. Desisti da vida com “Eu já passei alguns dias na região do Alto do Paraíso. Lá se toca apenas Raul Seixas e Zé Ramalho, na sorte Bob Marley. Mesmo quando uma banda está tocando Raul, escutam-se gritos de ‘toca Rauuuul!’. Mas a região é bonita.”
dez
entrevista com amarante
by tiago a. in Uncategorized
Uma outra coisa boa que surgiu em 2008 foi o disco da banda de Rodrigo Amarante com o baterista dos Strokes. A Trip entrevistou o primeiro. Camiseta legal, essa de Leminski.
dez
fotão
by tiago a. in Uncategorized
The Big Picture foi a melhor coisa que apareceu em 2008 na internet. Pra quem ainda não conhece, a série “2008 em fotos” (parte 1, parte 2 e parte 3) pode ser um excelente ponto de partida.
dez
dez
questã
by tiago a. in Uncategorized
Se eu te matar agora, é assassinato. Se eu tivesse te matado há nove meses, também seria. Se eu matar um recém-nascido agora, é assassinato; mas se eu o tivesse matado nove meses antes, seria aborto. Aborto é assassinato? Sim? Não? Por quê?
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agora vai
by tiago a. in Uncategorized
O poeta Igor Barbosa, l’enfant terrible de l’Internet au Brésil, apostos.com’s Founding Father, está de volta. Sim, é o bom e velho, digo, jovem Igor que, à Radiohead, lançou um livro de poesia (chamado Um Fevereiro), upou na internet e deixou que o preço ficasse a critério da comunidade. Se eu fosse você, ia lá e baixava agora mesmo. Como não sou, baixei assim que saiu.
dez
a Veja entendeu a internet (em parte)
by tiago a. in Uncategorized
Eu tenho uma boa e uma má notíca pra você. Quer qual primeiro? A boa? Bem, a boa notícia é que a Veja digitalizou todas as suas edições, desde o número 1, e para lê-las paga-se nada (Deus ajude que continue assim). A má notícia é que não tem permalink, então não dá pra linkar nadica de nada. Venho de ler a rara entrevista com João Gilberto (edição 140, maio de 71), que eu queria ler faz tempo, e agora vou ler a de Borges (ed. 103, agosto de 70) e depois a de Truffaut (ed. 291, abril de 74) e depois a de…
dez
Richard Cheese and Lounge Against the Machine
by tiago a. in Uncategorized
Mark Jonathan Davis é o verdadeiro nome de Richard Cheese, cantor que, junto com a banda Lounge Against the Machine, toca, à maneira dos conjuntos de jazz de Las Vegas, canções de Red Hot Chili Peppers, Slipknot, Korn, Nirvana, Guns & Roses, Beastie Boys e diversos outros bardos da contemporaneidade. Eles estão lançando discos desde 2000; o mais recente deles, o sétimo, se chama Dick at Nite e apresenta releituras de temas de abertura de várias séries de TV, como South Park e Bob Esponja. É ainda mais legal e engraçado do que parece. Aperte o play para ouvir a versão lounge e cretina de Creep, do Radiohead:
Bem mais coisa no myspace deles. E no youtube também.

