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Nikko Bushidô, quem é você?

Depois de Pietro Nassetti, é a vez de Nikko Bushidô:

[...] Arte da Guerra: Os Treze Capítulos Originais, lançada em tradução e adaptação de Nikko Bushidô, é um embuste desde o frontispício até o último capítulo. O livro, de 2006, traz na capa três afirmações bombásticas: "Tradução do chinês", "Campeão de vendas", "Edição completa". Eis uma mentira: "Tradução do chinês". A versão Jardim dos Livros é tradução do chinês feita através da língua de Camões mesmo.

Nikko Bushidô promoveu um mega-arrastão nas versões brasileiras de Sunzi Bingfa. Simplesmente surrupiou a produção intelectual de José Sanz (Record, 1983), Mirian Paglia Costa e Caio Fernando Abreu (Cultura, 1994), Sueli Barros Cassal (L&PM, 2000) e Ana Aguiar Cotrim (Martins Fontes, 2002). Não contente, Bushidô arrebanhou também o prodigioso editor Martin Claret e seu prestativo colaborador Pietro Nassetti, tradutor de grandes habilidades, como se verá adiante. E mais: reproduziu até o erro de atribuir a Sunzi uma frase de Santo Agostinho - "O objetivo das guerras é a paz" -, numa demonstração prática da técnica Lavoisier de tradução.

Tentou-se falar com o editor Claudio Varela para ouvir sua versão dos fatos e, principalmente, indagar-lhe se Nikko Bushidô seria uma pessoa, uma instituição ou um ectoplasma. Em vão.

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