David Remnick não achou que era suficiente escrever este excelente perfil sobre um sujeito obcecado que há 27 anos apresenta na rádio KCRW um programa diário dedicado estritamente a Charlie Parker. Montou também uma lista dos 100 álbuns de jazz mais importantes, mapa para não-iniciados como eu. Se seu nome nem é Ruy Goiaba, nem Noronha, pode ser que lá existam discos que você ainda não ouviu.
Comments
Michael Brecker há muito é reconhecido como o grande herdeiro do Coltrane (com o som de tenor mais característico desde o próprio) e sem dúvida o saxofonista mais influente na cultura pop nos últimos 30 anos (estou pensando nas gravações com James Taylor, Steely Dan etc.). Não há um saxofonista contemporâneo que não tenha passado por ele - pergunte ao Chris Potter, por exemplo. Se esses não forem critérios para a sua inclusão numa lista que se pretenda dos maiores & melhores, não sei o que é.
Gosto pessoal é bem diferente mesmo, de fato. Meu disco preferido do Brecker, por exemplo, é um que as pessoas costumam achar um saco: Time Is Of The Essence. Para mim a melhor coisa que ele fez. E que certamente jamais poderia entrar em lista objetivante alguma. Idiossincrasias, como não.
Do Wynton - não, ele não entraria na minha pessoal, idiossincrática e irrelevante lista de jeito nenhum. Já numa lista com pretensões de objetividade, me parece importante que ele esteja, pois de fato é impossível entender onde o jazz está hoje sem entender a figura do Wynton Marsalis. Sua contribuição musical existe e é inegável, claro. Só acho que a espiripitifláutica (Lincoln Center, série do Ken Burns) é muito maior. Outros beijos polêmicos!
Posted by: Camila | maio 15, 2008 08:22 AM
Você está "espiripitiflauticamente" errada, Camila. Se o critério for musical e não o SEU gosto pessoal, talvez idiossincrático, aí é que o Wynton tem de entrar. :) No campo da música erudita, p.ex., o fato de eu não gostar muito do Berlioz não diminui em nada a importância -musical- do cara.
Eu não confundo gosto pessoal com relevância a ponto de achar que o Michael Brecker (de quem também gosto, é bom frisar) devesse constar dessa lista. Há vários músicos de jazz que adoro -o Paul Desmond é só o primeiro exemplo que me ocorre- que eu talvez nem pusesse na lista dos 100 álbuns mais importantes. Beijos "polêmicos".
Posted by: Ruy | maio 15, 2008 12:15 AM
Ah, meu comentário saiu duplicado, que droga. Ruy, é verdade, o Wynton merece um lugar na lista por sua contribuição histórico-político-filosófico-espiripitifláutica. De fato, isso tudo tem muito mais relevância do que sua contribuição musical propriamente dita... Porque, se o critério for musical, ele está fora. Da minha lista. Abraços aos dois...
Posted by: Camila | maio 14, 2008 11:55 PM
Concordo com a Camila, exceto no que diz respeito ao Wynton Marsalis. Acho, sim, que uma lista de 100 álbuns de jazz tem que ter algum dele, que liderou toda aquela história de "young lions" e da reação contra o jazz-rock. É até menos uma questão de gosto do que de relevância pra história recente do gênero. Mas eu escolheria o "Black Notes (From the Underground)".
Mesmo no que diz respeito ao período "late sixties" pra trás, muitas das minhas escolhas seriam outras, hehe. Abraços, Tiago.
Posted by: Ruy | maio 14, 2008 08:09 PM
A lista é boa - seu único problema é o título. Deveria trazer o complemento "...até os late 60s". O crítico claramente é daquelas pessoas convictas de que o jazz morreu em 60 e alguma coisa. A ausência de Herbie Hancock, Wayne Shorter, Pat Metheny, Michael Brecker e Brad Mehldau só não assusta mais do que a presença de Wynton Marsalis e Bill Charlap (!!!). Isso se a gente ficar só nos figurões. Enfim. Por essas e outras botei aquela listinha anti-apocalíptica no meu blog. Que não é a New Yorker mas tem quatro leitores fiéis. :) Beijos, querido. P.S.: Cê não entra no MSN nunca??
Posted by: Camila | maio 14, 2008 07:36 PM