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hãããããããã

E assistindo os vídeos de Paul Muldoon neste site que eu linquei abaixo, lembrei de uma coisa sobre a qual eu queria falar já há um tempo. É que o modo como ele fala lembra aquele tipo peculiar, muito comum em bons professores; o tipo de fala dos indivíduos que dedicaram grande parte do tempo de suas vidas a uma determinada atividade e por causa disso chegaram aonde estão hoje: um patamar superior com relação ao resto dos homens. É uma fala em que as pausas comunicam um certo respeito que essas pessoas parecem ter pelo próprio fenômeno da comunicação; é como se elas dissessem "Olha, [pausa] eu sei que é quase um milagre que a gente esteja entendendo pelo menos um pouco do que um está dizendo ao outro, [pausa] então vou fazer algum esforço para não atropelar você [pausa] e para deixar cada coisa que eu disser se ajeitar bem direitinho na sua cabeça antes de passar para a próxima, [pausa] ok?". E gente feito Muldoon faz esse esforço sem parecer estar fazendo esforço algum—mas, ora, esse é justamente o traço que mais nos chama a atenção nessas pessoas que fazem muito bem as coisas que escolheram fazer: elas fazem algo que requer *muito* esforço para ser feito dando a impressão de que não estão se esforçando nem um pouco (vide Romário).

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Romário

Mas todo mundo tá ligado que pra impressionar certos tipos de pessoas, não é preciso dedicar grande parte do tempo de uma vida ao projeto de fazer algo muito bem; basta parecer ter feito isso. Sabendo disso, alguns desenvolvem o péssimo hábito de imitar a maneira de falar de caras como Muldoon. Nele, é até elegante; mas nesse outro pessoal, fica algo triste, porque caricato. Diz pra mim se não é verdade que você quase consegue tocar a tristeza que emana daquele seu amigo afetado quando ele resolve antecipar toda frase dele com um hããã. Juro que se eu dispusesse dos meios, encontraria um jeito de diagnosticar aí alguma espécie de patologia, cujas formas mais graves constrangem e deprimem deveras; mas eu sei que nunca vou conseguir fazer isso, mesmo porque até bem pouco tempo atrás, eu não tinha nem um nome pra aludir a este cacoete infeliz. Verdade que agora, pelo menos, um nome eu tenho (em inglês, at least); foi lendo um certo livro que o encontrei. Isso que essa gente tem, atenção, se chama cultured stutter. Cultured stutter. Sugira uma tradução, por favor.

Comments

Não sei, é mais coisa pra fonoaudiólogo, não?

Você acha que o Gil faz isso por pedantismo?

vc poderia colocar tb uma foto do fred astaire, outro expert na arte de não demonstrar esforço?

beijões

Caro

No caso do Gil, é maconha mesmo.

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