Não faz dois meses, anunciei que o time do apostos.com rumava para Tóquio.
Eu estava errado.
Quando chegarem os novos reforços, cujos passes nossos cartolas já estão negociando, Tóquio vai ser só uma estação. Quem avisa amigo é.
« março 2008 | Main | maio 2008 »
Não faz dois meses, anunciei que o time do apostos.com rumava para Tóquio.
Eu estava errado.
Quando chegarem os novos reforços, cujos passes nossos cartolas já estão negociando, Tóquio vai ser só uma estação. Quem avisa amigo é.
A obra pronta, aí sim, deve dar a ilusão de que nasceu toda junta e bem montada. Porque, se o escritor quando escreve tem n opções (mata ou não mata o personagem x, faz com que y viaje ou fique aqui, casa a com b ou b com c), o texto que-deu-certo esconde todas elas, de modo que o leitor enxerga, e acredita que aquele que vê não é só o melhor, mas o único caminho possível. Em outras palavras, o leitor não enxerga o trabalho que teve o escritor. Isso não sou eu que estou dizendo, roubei de alguma aula do Assis Brasil (se cito a fonte, não há mais roubo, portanto está tudo bem).
Se você for leitor e quiser dar pelo menos uma espiada no quão trabalhoso é fazer literatura, saiba que Carol Bensimon, depois de resolver escrever um livro, se impôs o desafio de escrever sobre escrever o tal livro. E antes que você decida que soa muito *META* pro seu gosto, permita que eu diga um "vale a visita".
Porque, afinal, esta é a principal função dos blogs: dar opiniões que ninguém pediu, justamente para que ninguém as leia.
seo mauro dizndo tudo o que precisava ser dito
qdo vejo sujeito prgando q tdo qto eh blog precisa ser relevante, sinto ganas de estapear ate ele esquecer o nome da mae dele. me diz, mne diz: de onde eh qveio essa, agora? eh gente querndo fazer revista de blog (sic, nem pergunte), gnte querendo fazer campanha de politico em blog, gente qeurendo conferir! importancia! a blog!―sim, sim, eh uma gente grave, uma gnte q usa conferir como verbo trnasitivo direto e indireto e tudo e, pior, querndo te obrigar a fazer o mesmo.
ok o mundo eh vasto, a internet, ja se disse, eh varia, mas eh tarde, to meio bebado e sonolnto (bebados ainda podem escrever posts/), entao me permitam o saudozismo de um tempo em q a relaçao entre las palabras blogue e blague era muito mais q um trocadilho, como registrou um certo alguem, num certo prefacio―estao lembrados? (btw: alguem sabe dizer se isto aqui eh uma volta? ou eh viral?)
e na extended entry, se eh pra ser relevante, uma foto gratuita dos peitos de scarlett johansson

Hoje é 17 de abril de 2008, uma quinta-feira, dia em que me fizeram acreditar que, sim, verei um concerto de João Gilberto. São 22h 34min, e eu estou bastante ansioso. Já roí todas as unhas das mãos. Para não roer as dos pés, escrevo este parágrafo, primeiro de muitos que espero escrever até 5 de setembro, O Grande Dia. Outrossim, cumpre-me confessar que, no presente momento, me encontro feliz pra caralho. Estou tão feliz que me permitirei fazer o óbvio registro de que há no título uma referência escancarada a O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro, de Sérgio Sant'anna, registro, esse, feito apenas em favor dos que ainda não leram o referido conto e que por isso são no mínimo 68% menos felizes do que eu e você, que lemos. Com o registro, além de me comportar de maneira a comunicar extremo requinte e finura, também tenciono alcançar mais duas outras coisas.
primeira coisa
Desejo assumir desde logo a angústia da influência que alguns muito provavelmente veriam/verão, de qualquer maneira. Quero aqui deixar dito que isso é algo que não me preocupa nem um pouco; podem me acusar do que quiserem; daqui a alguns meses―daqui a exatos 141 dias―serei mais um membro da camada superior da Humanidade a que pertencem os homens e as mulheres que viram e ouviram João Gilberto tocar e cantar ao vivo. Nada mais pode me atingir.1
segunda coisa
Assumindo referência já tão explícita, inescapável e incontornável, pretendo também esconjurar o mau espírito encarnado naquele urubu que pousa sobre a asa do avião em que se acha João, voltando para o Rio, segurando a gaiola vazia que recebeu de John Cage2 no aeroporto de NY―para mim, o verdadeiro responsável3 por João haver resolvido não se apresentar. Sim, vocês dois que não leram o conto, O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro é um relato sobre uma não-apresentação de João Gilberto, um conto que serve de consolo para um autor que procura ver, no silêncio de João Gilberto, um concerto. Mas isso―seja-me permitido dizer―não vai se repetir aqui. ISSO―digo mais uma vez, em negrito, caps lock on―NÃO VAI SE REPETIR AQUI. O Concerto de João Gilberto em Salvador não será como O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro; o Concerto de João Gilberto em Salvador acontecerá de verdade, no dia 5 de setembro de 2008. Prezado Sérgio Sant'anna, U R PWNED, SRY.
O vídeo que está neste site é a coisa mais bonita que eu vi hoje. (via)
Googlewhack é o vocábulo que denota o desafio de ir ao google, proceder a uma busca por uma expressão que seja composta de duas palavras, sem recorrer às aspas, e receber um Resultados 1 - 1 de 1 para ――― ――― (zero vírgula zero não-sei-quantos segundos). É difícil, e existem regras. Não fosse a regra que dita que as duas palavras devem constar de um dicionário, André, do Achtung Baby, teria produzido um Googlewhack involuntário ao propor esta charmosa tradução de spoiler, clique. Não vou dizer qual é, só para que este quase Googlewhack (spoiler + estra―) tenha alguma sobrevida. Mas a partir de hoje, fica decretado que, em português, spoiler é estra―. Revogam-se as disposições em contrário.
O segredo de amizades longevas é nunca olvidar as boas-maneiras. Eu realmente acho que, se você tem uma pessoa querida que gosta muito de um escritor ruim a quem você e a maior parte da humanidade dedicam todo o desdém (e mesmo que vocês façam isso com toda a razão, vez que o cara é uma bosta mesmo), é meio rude dizer isso a essa pessoa que lhe é querida em toda oportunidade que você encontrar. Quero dizer: você pode até comunicar isso a ela uma vez, se em algum momento da amizade de vocês, vocês decidiram que é importante conhecer os gostos um do outro, a fim de só trocarem presentes 100% excelentes, e tal, mas é chato tipo dizer toda hora. Se a pessoa querida vem toda contente comentar uma coisa que ela acabou de ler num dos livros de um escritor com cujas patacoadas, okay, ninguém vai conseguir explicar por que ela continua perdendo tempo, c'est-à-dire se ela, a pessoa querida, mesmo assim, mantém esse mau costume e vem comentar com você, sua réplica não precisa necessariamente ser "Ah, acho esse livro e todas as outras coisas dele terrivelmente péssimas", porque se essa pessoa querida é sua amiga de verdade, tendo convivido com você tempo suficiente para alcançar o cobiçado status de Sua Pessoa Querida, então ela certamente já sabe sua opinião sobre o assunto, acredite. Você definitivamente não precisa viver ratificando todas as suas opiniões; quem faz isso é blogueiro e Caetano Veloso.
"Assim como não pode haver boa prosa quando não se quer épatér, também não pode haver boa prosa quando só se quer épatér."
George Clooney, esquerdinha, perfilado na New Yorker.
I later met Richard Kind, who has been a close friend of Clooney’s for twenty years—[...]. Off-screen, Clooney was the best man at Kind’s wedding. Kind told me, “I’m very protective of him. When I’m staying with him, I will never bring anyone to the house while he’s there. The reason? This is almost pathological: he has to entertain that new person. Even if he doesn’t want to, he will draw that person in with stories, and will entertain him. He could have been working all day, he could have a headache, it doesn’t matter, when he’s at that dinner, he’s got to talk to that person, and make that person... I don’t know whether it’s make that person like him, but he wants to make him feel at home.”[...]
A day after returning from Africa, in late January, Clooney visited the United Nations headquarters, in New York—an occasion that some senior U.N. officials referred to as Clooney Day. [...] At the first sight of Clooney, a raucous cry went up, although one sensed a collective will to stop short of a full-throated scream that might discredit the organization. Clooney paused in front of each barrier, and shook many hands, saying “Hey!” in a surprised tone; one of his social skills is to treat every introduction as a longed-for reintroduction. (Later, he talked to me about the way human contact can calm a crowd hungry for celebrity. “It’s a trick,” he said. He had seen Tom Cruise—whom he referred to as “Cruise”—do it “really well at times, where he’s able to get right into the group, stop the frenzy—he’s pretty good at looking people in the eye, and getting people to see and hear him as a person.”)
The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, de Junot Díaz=vencedor do Pulitzer 08. Para os hispanohablantes, uma entrevistinha dividida em du-as partes.
Vigorous writing is concise. A sentence should contain no unnecessary words, a paragraph no unnecessary sentences, for the same reason that a drawing should have no unnecessary lines and a machine no unnecessary parts. This requires not that the writer make all his sentences short, or that he avoid all detail and treat his subjects only in outline, but that every word tell. [+]
Pode ser só eu, mas ainda não consegui assistir um episódio inteiro no site do South Park Studios―muito lento pro meu gosto. Que bom poder contar com o genérico (skip the occasional ad and be happy).
O que te faria pensar que um post que parece tratar do amor, do orkut―da vida-hoje-em-dia, enfim―geraria comentários sobre o infinitivo passivo no latim?