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sobre um prefácio

Um certo professor, velho, que era lá da faculdade, cujo nome vou preferir não revelar (porque não vem ao caso e porque a maioria não ia mesmo saber quem é), disse, num prefácio a um livro de um outro professor, jovem, que também é lá da faculdade, cujo nome etc., o seguinte:

Apenas diria a ——, com o carinho de quem o estima e admira de modo especial, que saiba casar os arroubos da impetuosidade dos moços com certa dose de ceticismo dos mais vividos. Livre-se do perigo da ansiedade intelectual, que às vezes prejudica os jovens. Precisamente eles que têm tanto tempo, comportam-se, em certas circunstâncias, como se já não tivessem tempo nenhum. O saber é como o amor. Só vale a pena quando saboreado até à exaustão. A pressa no pensar e no dizer o que se pensa causa tanto mal-estar quanto o alimento que se leva ao estômago sem o cuidado de mastigá-lo e salivá-lo. Não é o quanto se deglute que nutre, mas o quanto do deglutido se assimila. O candidato tem toda uma vida pela frente. Use-a para ir ao âmago do saber, sem pressa, com requintes de sensualidade intelectual, tão capaz de nos levar ao êxtase quanto o é a fusão dos corpos na busca da unidade perdida.

Os grifos são meus. Se você achou cheesy, não sabe nada.

Reflita.

Comments

Muito interessante, principalmente em tempos que TODO mundo, principalmente jovens universitários, tem opiniões sobre todos os assuntos. Até mais!

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