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filmes, trilhas, etc. e tal

Dos dois últimos filmes que fui ver no cinema―There Will Be Blood e Paranoid Park―, tenho a dizer que o aspecto de ambos que mais me impressionou foi a trilha sonora. Por esses dias também assisti No Country For Old Men, mas nesse o que mais embasbaca é justamente a ausência quase absoluta de música.

A trilha de TWBB é da lavra daquele guitarrista dentuço do Radiohead, que caso não tivesse se tornado no que é hoje, teria virado maestro ou coisa do tipo, dizem. (Pra ler mais a respeito, clique no ponto pelo qual você acaba de passar, porque esse post é só tipo um levanta cabeça). Já a trilha de PP é basicamente uma coletânea de música boa em que predominam Nino Rota e Elliot Smith. Muita coisa importante pode ser dita sobre a relação destas trilhas sonoras com seus respectivos filmes, mas infelizmente não vou ser eu quem vai dizer.

De todo jeito, alguns palpites. Pra mim já ficou impossível tentar dissociar TWBB de sua trilha sonora―nunca conseguirei, porque não paro de pensar no peso que ela adiciona àquelas imagens, no modo como ela vai pontuando a narrativa* sem jamais ser excessiva. E uau o que é melhor: continua funcionando sem o filme. Eu não entendo muito dessas coisas, mas se eu pudesse dar dois tostões no assunto, eu diria que se trata de grande exemplo de uma obra sendo evidentemente feita para servir de suporte a uma outra enquanto mantém sua autonomia com relação a esta última, e isso não só porque a primeira foi feita disso que vocês chamam de música instrumental. (Sério: eu realmente recomendo que você clique no link do pontinho, baixe o disco nalgum site de torrent e ouça, para depois, como eu, passar cinco dias de sua vida correndo, nu e em prantos, pelas ruas de sua cidade).

Em PP a música também tem um papel importante, mas, diferentemente de TWBB, acho que o efeito só é completo com as imagens; tanto que não vou lhe dizer que vale a pena se dar o trabalho de ir baixar a trilha sonora. O que não significa dizer que é ruim. Não, não. É bom. Mas é que só fica grande com o filme. Em algumas cenas, por exemplo, me vinha a impressão de que tinham aberto um parêntese prum clip bonito―o filme é mesmo muito bonito. (E a propósito, se alguém lembrar qual é a música que toca durante aquela cena dos skatistas dando aéreos sucessivos, faz favor me dizer! Eu não consigo lembrar. Esse vídeo me fez lembrar; nunca vou conseguir dizer o quanto adoro a coisa de a gente ter certeza de que o último cara se acabou completamente mesmo sem ver a queda dele!). Sobre o filme em si, acho que Gus Van Sant aprendeu um jeito único de filmar a gurizada, com aquele olhar não-destacado, sa' como é?, que absolutamente não vem de cima, que parece não vir de um adulto, mas de um deles. Feito Salinger. Deus do céu, como é que ele arrancou aquelas atuações daqueles pivetes?

Resumo do post é o seguinte: se não quiser assistir TWBB, beleza, país livre, baixe só a trilha, que já garante a piração. Mas vá assistir PP no cinema, se ainda estiver passando.

* Esbocei a teoria de que No Country For Old Men não tem trilha sonora porque Cormac McCarthy não aprecia pontuação excessiva, a ausência absoluta de música que pontue a narrativa sendo parte componente do modo obsessivo com que os Coen tentaram ser fiéis ao livro (considerações acerca do final de Anton Chigurh à parte). Disseram que eu estava ficando louco, vendo coisa onde não tem. Ficaria feliz se alguém resolvesse defender isso a sério.

Comments

Tive essa mesma impressão sobre a ausência de trilha no filme. Não li o No Country, mas tô na metade da Trilogia da Fronteira e percebi que o filme é único na filmografia dos Coen (que sempre colocam um elemento num filme que lembre um anterior) porque é muito próximo do estilo do Cormac, próximo DEMAIS, tipo, das adaptações mais fiéis de uma obra literária que eu já vi, isso sem ler o No Country, só pelo fato do escritor estar ali, all over.

Hmm, Jana, ainda não assisti nenhum dos dois. Vou baixar as trilhas deles, peraí.

Dos filmes recentes, acho que as trilhas de "Juno" e "Once" são as mais legais. Bj, Jana

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