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da série "gente a quem tenho dedicado minha atenção nos últimos dias"

Ao lado de Amós Oz, Etgar Keret forma agora o duo Escritores Israelenses Cujas Coisas Já Li (sem contar a galera da Bíblia, claro). Li muito pouca coisa dele, mas já o suficiente pra vir aqui dizer que é bem bom. Talqualmente Amós, Etgar prefere escrever em hebraico, ou seja, tá difícil de ler no original. As traduções pro inglês começaram a sair em 2000 e alguma coisa; pro português, me disseram que a Casa da Palavra tá providenciando. Vamos então logo de uma vez às três ou quatro prejudicadas notas mentais que fiz durante a leitura ainda inacabada de The Bus Driver Who Wanted to Be God & Other Stories, que AMP, generoso, me emprestou.

Basta folhear o livro pra perceber o aspecto que mais chama atenção: Etgar, pelo menos neste livro, produz estórias bem curtas. A maioria cabe em três, quatro páginas―que parecem dezenas depois que você lê. É como se os contos tivessem sido tipo zipados pra causar um efeito ainda mais poderoso. Lendo, vê-se o traço fantástico da coisa: as estórias não se limitam às, digamos, fronteiras do real, mas sempre mantêm contato com ele e nunca deixam de ser verossímeis. Eu diria que lembra Kaf― dããã, tudo lembra Kafka, esquece, risca.

Também quero crer que não foram os tradutores os responsáveis pelo uso responsável e não-chato de gírias que dá aos contos o agradável tom coloquial que eles têm―infelizmente, porque não leio em hebraico, não posso estar cem por cento certo disso, mas estou tipo noventa e nove. O crédito deve ser mesmo todo de Etgar, já que ele também mexe com cinema, devendo então estar mais que acostumado a produzir aquele efeito Olha Só, Uma Pessoa Normal Falando.

Além disso, quê mais? Ah tá, notinha biográfica: fez 40 ano passado e escreveu a maioria desses contos que eu li quando tava na casa dos vinte.

Site oficial, onde dá pra ler algumas coisas. Entrevistinha.

Cotação
:D (vá de com força)

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