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amy

68,3% de mim também acha que writing about music is like dancing about architecture. Confesso que até houve época em que eu tentei ler essas revistas de música que todo mundo lia, mas desisti logo (e só voltei a folhear a já de novo finada Bizz por causa de alguns textos de GOIABA, Ruy). É preciso reconhecer, porém, que esse pessoal que escreve sobre música às vezes diz algo que preste. Sasha Frere-Jones, por exemplo, tá dizendo tudo o que precisa ser dito sobre Amy JunkieWinehouse lá no site daquela revista lá. O fato de tantos deslumbrados estarem saudando Amy W. como *O* advento não é senão a confirmação de que a galera tá sem perspectiva histórica mesmo. Sim, minha gente, é legal de ouvir, diverte, etc. e tal―mas é derivativo, meu povo, chu-pá-dê-ó-dó. E feito para consumo. Ou, como diz Sasha,

[...] what reads as musical innovation in 2008 is blue-ribbon revivalism, a high-production-value version of the songbook logic driving current Broadway musicals. The sounds of yesteryear! Sung by today’s young people! (Who, in this case, enjoy ketamine and margaritas.) Winehouse’s music is reassuring to those old enough to remember the original and novel to those too young to know. And her music refers to rappers while simultaneously avoiding actual rapping and sounding just like the music that rappers first sampled decades ago. So many demographics united through the magic of consumption!

Não, não acho que ser derivativo e feito para o consumo seja pecado. Mas que não se aplauda gênio onde não há um. Ou, melhor, que se aplauda o gênio onde efetivamente há um―no caso de Amy W., em sua produção. Pronto, falei.

Comments

Adoro Amy Winehouse, acho-a estilosíssima e usarei um figurino igual ao dela na próxima festa à fantasia que houver em Salvador.
Concordo que esse estardalhaço em torno dela mostra o quanto estamos carentes musicalmente, mas fazer o quê? Estamos mesmo.
Em tempo, a velha rebeldia de usar drogas e recusar tratamento soa muito romântica em tempos de naturalistas sarados comedores de açaí.
Beijo!

tiago a., obrigada por postar isso - e aposto que o motivo de meu agradecimento será uma surpresa para você: vim comentar sobre o crítico, não sobre a cantora... É que sempre achei o SFJ bem mais próximo da turma dos deslumbrados com os mudérrnos do que da, bem, minha turma. Tanto que achei esta paródia sensacional:

http://www.donaldfagen.com/writing_items.php?itemID=96

Mas esse parágrafo dele sobre a AW é realmente fundamental, injeta um pouquinho de perspectiva histórica - e, por que não, bom senso - num fenômeno que é (quase) puro hype.

Beijos e até breve - voltarei mais vezes!

De novo! Não consegui(r)!

Se quiser que eu revise, é só dizer.^^

Meu grande defeito é não consegui revisar nada. Coloquei vírgula separando sujeito de predicado. Merda.

É isso, minha vizinha que cantarola Belo, seria aclamada se fosse rouca e trocasse o repertório. Basta ser rouco. Sou rouco, cantos algumas pitadas de jazz, sou aclamado.

Eu gosto de vários cantores ruins por causa da personalidade, mas essa aqui, o que tem a oferecer? Que personalidade ela põe na música? A velha rebeldia de usar drogas e recusar tratamento?

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