Símile existencialista da vida como folha de papel em branco já tão gasto de tão mal-citado e -empregado por adoles- e adultescentes que utilizá-lo num contexto não-irônico é temerário, mas é o que eu farei. Vida como folha de papel em branco -- ou, melhor, documento novo em editor de texto, cursor piscando opressivamente, como se em riste, quero ver cê se atrever a manchar a brancura dessa tela, 'shperimenta. E tantos fogem do desafio, refugiando-se em suas atividades profissionais várias, definindo-se pelo que fazem, eu sou o meu trabalho. Sempre os vi como a gringos em línguas incompreensíveis e das primeiras certezas que firmei na vida estava: não, não vou ser o que eu faço para ganhar $. Mantenho essa e tenho pensado em firmar outra, semelhante, quase mesmo campo. Antes de conhecer as pessoas, tem-se agora acesso a todos os seus gostos -- pense em lastfm --, o ambiente convidativo para que você mostraí tudo que você gosta -- ou tudo o que acha que vai ser legal os outros acharem que você gosta --, de modo tão ostensivo quanto opressivo, estou em centenas de comunidades no orkut etc. Eu, vitrine. E o imperativo do monopólio do gosto: personalidade, originalidade, individualidade é ser a única pessoa que gosta desse cineasta cambojano aqui. Estar no mundo passa a ser afimar gostos a todo momento e a desprezar os imbecis que calharam de gostar da mesma coisa, bunch of sophomores. Tome os indies, p. ex. Terror de indie = perceber que descobriram a banda de que ele gostava, e o que era tão definitivo na vida do indie até cinco minutos atrás é descartado -- vamo descobrir a próxima. Existem dúvidas sobre a possibilidade de fruição estética verdadeira num ambiente desses, alguém estude isso. A arrogância sem charme de referências como figurinhas, veja, veja, completei meu álbum, eu tenho, você não. Porque se sou aquilo de que gosto e se só conheço uma pessoa maravilhosa que gosta dessa coisa de que eu gosto (eu), então ÊÊÊ, VIVA. Como sou especial.
Comments
Bruto e amargo esse post - mas bom pacas tb.
Posted by: AMP | novembro 26, 2007 08:39 PM
Acho que deixie de acompanhar as novidades de música em 2002, por aí. Escutei poucos discos surgidos depois disso. Não tenho gás para esses indismos.
Mas a galera de cinema, apesar dos fãs de cinema combojano, é mais bacana. Ainda tem senso de comunidade, de espalhar as coisas, e não esconder para gostar sozinho.
Mas acho que pela própria quantidade de produção de cinema isso é mais difícil. Baixar um filme cambojano exige no mínimo conhecimento em francês - legendas mais comuns que as inglesas, para esse tipo de filme. Demoro um dia baixando, e vou perder mais duas horas vendo.
Música, é rapidinho, cada faixa 3 min, e nem preciso ouvir tudo. Dá pra conhecer, uma 10 bandas por dia, talvez?
Posted by: Saymon Nascimento | novembro 24, 2007 04:02 PM