outubro, 2007 Archives

30
out

by tiago a. in Uncategorized

Amigo resenhista profissional, tenho. De livros. Não cito nomes, vocês devem saber quem é. Mas resenha livro, esse meu amigo, que no fim-de-semana estava com livro de autor jovem brasileiro pra resenhar, livro que vem com monte de elogios dos amigos do autor, laudatórios todos. Grande, grande literatura, é a impressão que se tem lendo os encômios. Mas aí então vem meu amigo e diz tipo Dá um saque aê. E eu leio o primeiro conto e agradeço muito por não precisar ler o resto, de tão, ahn, desagradável que a coisa toda me parece. Desagradável porque não me agrada; não desagradável porque fede, entenda (pode ser só eu, né).
Mas não quero falar do livro que não li (obrigado, Deus), quero falar é dos elogios todos. Porque das pessoas que elogiam na orelha e na contracapa eu respeito 40% e eu não quero acreditar que eles estavam de má-fé ao louvarem a parada, que disseram tudo aquilo que disseram mesmo sabendo (sim, porque eu acho que eles sabiam, no fundo eles sabiam, não tem como não saber: dude, basta ler) que a, hm, obra era―o que foi que eu disse que era? ah, sim―desagradável. Mas vai que eles estavam. Ou então vai que é aquela má-fé que parece boa-fé mas continua má-fé, tipaquela coisa que se fala só pra dar uma força pro amigo, como quando você aí, mulher, responde praquela sua outra amiga que A-mi-ga, ficou um arraso, cê tá LIN-DA, mesmo quando eu, toda a torcida do Flamengo e (principalmente) você sabemos que não, ela não está, ó a banha saltando ó. Fiquei pensando e estou quase certo de que grande parte dos nossos amigos é bem capaz de fazer uma coisa dessas, por etiqueta, por vontade de não magoar, por cordialidade, sei-lá-eu por amor? Pô, os amigos do tal autor fizeram isso com ele, não fizeram? Mas aí então como é que faz se não se pode confiar nem na AMIZADE?
Ah, não, esqueçam tudo isso, eu não sei do que estou falando, toma um linque aleatório, mind the step, bjomeliga.

25
out

Kelle,

by tiago a. in Uncategorized

Há um ano, redigi um post em que se encontrava exposto o que alguns psicanalistas julgarão ser as razões que informam o sentimento de inferioridade que se abate sobre mim toda vez que me vejo diante de mulheres muito altas (conforme revelação mais uma vez feita nos comentários ao último post). Acredito que você não o tenha lido e, por não ter a ilusão de que você lerá este aqui, reuni forças para me expor mais um pouco. Na época em que publiquei o post acima mencionado, alguns pensaram que o texto era ficcional, produto de minha imaginação. Eles duvidaram do meu amor, Kelly. Quero, pois, mostrar agora que—não obstante dois erros factuais—a estória relatada pelo post era tão genuína quanto meu amor por quem você era há 14 anos. Republico o post para oferecer um contexto à transcrição do documento histórico que trago logo após mais alguns poucos comentários:

Kelly
Apesar do nome, era lindíssima, e eu lembro com nitidez o dia em que a vi pela primeira vez, no pátio da escola, balançando soberanamente os cabelos presos num rabo de cavalo que revelava a penugem aloirada de sua nuca. Antes de sua aparição, eu era apenas mais um aluno inocente da 4ª série da Escola Menino Jesus de Praga a ignorar completamente onde ficava a Checoslováquia; depois daquele dia, passei a conviver com esta perplexidade que nos assalta toda vez que estamos diante de mulheres muito belas.
Creio que ela jamais notou a minha existência, nem o modo como eu a olhava na hora do recreio enquanto simulava concentração no jogo de bolas de gude. Vestia shorts jeans que lhe cobriam apenas metade das coxas e mantinham-se justos a sua cintura graças a um cinto singelamente enfeitado por figuras que já não consigo enxergar neste olhar retrospectivo, mas cujas cores ainda criam uma aquarela sem forma definida que vez por outra vem ornar meus sonhos.
Ela era um pouco mais alta que eu, o que só reforçava a sensação de inferioridade que me acometia toda vez que ensaiava me aproximar dela para perguntar a grafia correta de seu nome (e eu mudava de idéia no meio do caminho, parava e fingia amarrar os cadarços encardidos do meu Bical). Sem saber como escrevê-lo, jamais pude lhe entregar a carta em que confessava meu amor silencioso e que iniciava com as palavras “Minha querida e doce_______”. Hoje, quando penso ter finalmente aprendido, é triste, K-e-l-l-y, que você não esteja entre os gentis leitores deste post que se tornou, portanto, ainda mais inútil.

Como eu disse, dois erros factuais aparecem neste texto. Não foi minha intenção inventá-los, e não me teria sido possível percebê-los se minha mãe não tivesse encontrado a aludida carta, na última visita que fez à casa de minha avó. Conforme a análise do documento revelará, o primeiro erro está contido no trecho que fala da série escolar que eu cursava na época: não era a 4ª, mas a 3ª, quando eu contava oito inocentes anos de idade. O outro equívoco está na confissão das primeiras palavras da missiva: elas não foram “Minha querida e doce_______”, como me fez crer Mnemósine em conluio com Eros, mas tão-somente seu doce e mal-grafado nome: “Kelle”. Infelizmente não poderei, ao menos por enquanto, mostrar-lhe a emoção que minha caligrafia da época registrava, mas a transcrição feita a seguir é a mais fiel e acurada que me é possível, dadas as presentes condições:

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24
out

oq v6 achao

by tiago a. in Uncategorized

Melhorei da tosse1 e me peguei pensando na razão de nós, a maioria dos homens (se quiser se incluir fora dessa, esteja à vontade, que esse blog é democrático), gostarmos tanto de mulher em salto alto.2 Pensei em várias hipóteses—principalmente na proeminência dos glúteos e na intumescência das panturrilhas—, mas acho que a resposta está mesmo no Belo & Inverossímil Equilíbrio Precário da coisa toda.3

1 Nariz, Saymon: valeu pelas dicas
2 via de regra. Não qualquer mulher, não qualquer salto—que fique bem claro
3 isso pra dar a vcs uma mostra das coisas em que fico pensando durante a maior parte do tempo
19
out

eu, O Que Tosse

by tiago a. in Uncategorized

Estou com uma tosse chata há mais de duas semanas a despeito dos hectolitros de xarope e chá que já tomei. Não sei mais o que fazer. Estive pensando em incorporar a tosse a minha personalidade—assim como tem gente que é conhecida como O Careca, O Gordo, Etc., eu seria O Que Tosse. Se tosse fosse considerada deficiência física, este seria um bom atalho para passar num concurso público—vagas para deficientes sempre são menos disputadas.
Hoje, no ônibus, encontrei um conhecido; ele viu que eu estava com o xarope que eu tinha comprado na farmácia e me perguntou Qual era a boa. Eu disse que A boa—COF COF COF—é essa tosse desgraçada. Ah, eu também tava tossindo dia desses, disse ele. E você tomou o quê, perguntei. Pneumonix, ele respondeu. Ou foi Pneumonix, ou algo parecido, não lembro mais, sei que começava com Pneumo-.
Meu conhecido tem uma teoria boa para esse surto de tosse que nos acometeu. Segundo ele, com a proximidade do verão e a chegada dos turistas, vírus gringos aportam na cidade e aí o Cof cof cof é generalizado. Ele disse que nós já aprendemos a conviver com os vírus nativos, mas não conseguimos resistir aos ataques dos vírus gringos. Na hora, essa me pareceu uma boa teoria, e eu fiquei imaginando de que lugar do mundo terá vindo o vírus que está hospedado em mim há mais de duas semanas.
Mas nem tudo são tosses. Estar nesse estado gera boas piadas, pelo menos. Como quando um amigo me chamou para fazer não-sei-o-quê semana que vem, e eu disse que Pô véi, não vai dar não, até lá eu já vou ter morrido de tubercu— COF COF COF.

campanha_tuberculose.jpg

17
out

alhures

by tiago a. in Uncategorized

.::. Mais links à medida que eu for vencendo a preguiça. Oi. .::.

* Salman Rushdie e Orhan Pamuk batendo papo.
* Um bom artigo sobre James Wood.
* Na Atlantic de novembro, um monte de gente escrevendo sobre the future of the American idea. David Foster Wallace inclusive.
* Ah, como é bom sacar as referências.
* Comprar livro importado com frete a $ 2.97 e criar um mundo melhor. Você pode! (Uau!)
* Ok, vocês pediram:

Continua, clica:

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15
out

pra baixo, diagonal inferior direita, pra frente e murro

by tiago a. in Uncategorized

Post novo, porque esse disco do Radiohead já é tããão semana passada, né.
***
Porque é nessas horas que você se dá conta de que o que te diferencia deles na verdade é que você sabe o que é um hadouken—já deu vários pra baixo, diagonal inferior direita, pra frente e murro—, e eles não. Vai ver também que é por causa disso que alguns deles ainda implicam com referências a videogame, dizendo coisas como O jovem autor, com as variadas alusões a jogos eletrônicos, tenciona a todo custo imprimir contemporaneidade a seu relato, no que malogra, e você olha isso e sabe que não, você sabe, você sabe que hadouken já tá tão datado quanto tudo quanto é menção que você vê em livro antigo a bonde e a peruca de comendador fulano de tal. Você sabe. Sabe que não dá mais, não tem como, como é que vai falar dessa determinada época e dessas pessoas querendo soar realista sem falar de super nes, meu Deus. Fez parte da vida—querer vetar isso é o mesmo que mandar um autor antigo e realista tirar aquele monte de nomes pra carruagem lá, né não? É ou não é?

10
out

hoje é 10 de outubro

by tiago a. in Uncategorized

e o disco novo do Radiohead está no ar, como eu tinha avisado. A opção de pagar $0 pelo download existe mesmo, já baixei e estou ouvindo sem parar. É tudo o que posso dizer por enquanto—e adianto que a maioria dos posts que li nesses blogs aí via technorati também não está dizendo muita coisa além disso.
Como não sou o típico /fã deprimido com tendências sui- homicidas que odeia os pais/ de Radiohead, acho que você pode confiar nas minhas unbiased opiniões: In Rainbows é bem audível e legal e diferente daquelas músicas de ET que eles vinham fazendo nos últimos tempos. Caso lhe interesse, Pitchfork tem um post apresentando as dez músicas, com vídeos de u-tube de nove delas. Até agora, House of Cards é a minha preferida:


9
out

post-festival philip roth

by tiago a. in Uncategorized

Philip Roth lançou livro novo: “Exit Ghost”. Está sendo anunciado como a despedida de Nathan Zuckerman, o alter ego literário de Roth. Lançamento de livro de autor importante é bom porque nos permite ver os melhores críticos escrevendo a respeito. Christopher Hitchens faz isso na Atlantic desse mês. E na New Yorker da semana que vem, é a vez de James Wood, falando que Roth é poeta enrustido:

In fact, in this later, plainer work Roth often makes subtle poetry by using ordinary words in unexpected ways, or by mobilizing cliché, but he slips these phrases past us conversationally, almost before we have noticed them.

E por falar em Roth, o livro anterior, “Everyman”, acaba de ser lançado no Brasil como “Homem Comum”, tradução de Paulo Henriques Britto. Semana passada fui à livraria só pra ver como ficou o trecho em que o protagonista lembra dos jacarés que pegava no mar.* E está tudo lá: o ritmo, a subtle poetry de que fala James Wood, a emoção. Bendito Paulo Henriques Britto, deus te abençoe.

* A força dessa cena motivou um textículo que escrevi sobre “Homem Comum” para um site de amigos e que agora, com os reparos necessários para celebrar o lançamento no Brasil, repubico na extended entry:

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9
out

by tiago a. in Uncategorized

21.jpg

Renato Parada, o maior blogueiro que São Joaquim da Barra-SP já produziu, montou um site/portfolio com suas fotos. Vai bombar no Stumble Upon.

6
out