resenha
Oi. Terminei anteontem The Road. Primeiro livro de Seu Cormac que este resenhista lê—e uau. O plot todo mundo já conhece a essa altura do campeonato: pai e filho tentam sobreviver num mundo que quase acabou e agora só tem cinzas.* É mesmo incrível como quase _nada_ acontece. Parece que o que acontece é só a vontade de sobreviver, achar comida, fazer fogueira, ir pro sul. E no entanto—
O tom seco, duro, impiedoso, sem rodeios de que tanto eu já tinha ouvido falar é massa (ou algum outro adjetivo que denote grandeza, escolhe aí). Do livro é meio inevitável que alguns queiram fazer leitura teológica. Digamos que tem elementos pra isso, provocações, tal. Mas tipo, haja o que houver, _NÃO_LEIA_a resenha de James Wood antes de ler o livro. É sério—ela é boa, mas tá cheia de spoilers. O resenhista aqui caiu na besteira de fazer isso e quando viu já estava sabendo qual era o final do livro. Ah James Wood filadeumaputa.
3 cenas muito fodas: quando eles vêem o mar; quando eles são roubados e encontram o ladrão; as últimas 10 páginas. Ah, e tem a cena da coca-cola né—o melhor merchan da literatura.
Já lançaram por aqui, como A Estrada. Mas se puder ler em inglês, dê preferência. Tipo, vez por outra, por mais gigantesco que seja seu vocabulário, é quase certo—dado o estilo barrocamente quase biblíco de Seu Cormac—que você vai precisar recorrer a um dicionário. Mas se fizer que nem eu—que liguei o foda-se e fui em frente sem olhar dicionário (não dá tempo, não dá tempo)—ainda assim vai aproveitar um monte. Ritmo, ausência de vírgulas, algumas construções gramaticais impossíveis de serem reproduzidas em português mantendo o mesmo efeito, tudo isso deve recompensar, methinks. De todo jeito, se quiser ler em português mesmo, as primeiras vinte e poucas páginas estão aqui, em pdf.
Na entrevista que deu a Oprah, Seu Cormac disse que escreveu o livro em questão de semanas. Se isso for verdade, Seu Cormac, não tem graça sair espalhando essas coisas. É feio. Quem não consegue fazer um décimo disso se sente humilhado, chora, pensa em largar tudo, plantar tomate em Goiás. Escreve resenha em blog.
Comments
Não, Ronald, não esqueci. Eu só não mencionei--é diferente, hehe.
Iulo, a palavra é bem essa: é uma DROGA. vicia e tudo.
Saymon, vou querer emprestado, sim. É um de Gus Van Sant né. Vou querer, sim. A prova é domingo; depois dela, tou livre. A gente marca.
Posted by: tiago a. | setembro 27, 2007 12:01 PM
Vai virar filme, com Viggo Mortensen. Pessoas que não leram o livro dizem que é pra concorrer no Oscar com On The Road, de Walter salles.
Tudo que me falam desse livro, incluindo esse post, me faz pensar num filme sensacional, Gerry, que você não vai conseguir achar em DVD. Quanto te vir, te empresto.
Posted by: Saymon Nascimento | setembro 26, 2007 02:53 AM
haahha, tiago, excelente o texto "pretty much anything". sinto basicamente a mesma angustia e ansiedade. uma droga.
Posted by: iulo | setembro 25, 2007 06:47 PM
'Then he picked up the phone and dialed the number of his father's house in that long ago. The boy watched him. What are you doing? he said.'
Tu esqueceu dessa cena ;~
Posted by: Ronald | setembro 24, 2007 12:03 PM