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pretty much anything

Quem começou a estória toda foi Bruno Rabin ao se lançar à campanha Um Post Por Dia - que está indo bem, diga-se. Márcio Guilherme viu que era bom e se propôs a fazer o mesmo, ou quase: ele não prometeu posts aos sábados, domingos e feriados, mas excetuou a eventual ocorrência de, abre aspas, nerdice involuntária ou falta do que fazer.

Taí, gostei. Derivativamente me proponho a fazer algo parecido, então. A partir de hoje e até o dia em que eu disser chega, toda vez que o calendário apontar uma data que seja múltipla de 3 haverá post por aqui. Como 20 não é múltiplo de 3, esse post não vale. Mas só pra vocês não perderem a viagem de vocês, deixa eu fazer uma firula aqui.

Um dia, numa entrevista pra um podcast—não, não, podcast não, teria mais charme se fosse uma rádio pirata (ainda existem rádios piratas?)—anyway, numa entrevista a uma rádio pirata, depois da pergunta clássica (blog=literatura?), me perguntarão : Mas Tiago A., pra você, o que é ser blogueiro?

Tiago A.: Hm, quanto tempo eu tenho?

Locutor da rádio pirata: Ah, pode falar aí, capaz de só a gente estar escutando.

Tiago A.: Ah tá, então beleza. Bem, pra mim ser blogueiro é meio que estar resolvendo um conflito o tempo todo. Antes de mais nada, deixa eu dizer que não estou sendo irônico e que vou tentar continuar respondendo a sua pergunta sem recorrer a nenhum artifício engraçadinho e que eu estou falando só por mim, quero deixar claro também. Como eu dizia, pra mim, tem esse conflito em ser blogueiro. É que eu sou um sujeito que às vezes se sente angustiado pela quantidade de informação disponível hoje em dia. Releve esse "quantidade de informação disponível hoje em dia". Não vou entrar em muitos detalhes quanto a isto, basta dizer que eu não me sinto plenamente confortável com esse monte de coisas sendo ditas e com a súbita responsabilidade que jogaram em minhas costas de ter de decidir o que é bom pra mim e o que não é. Porque, tipo, antigamente a gente relaxava mais, porque era só confiar no trabalho dos editores e na seleção que eles faziam do que valia a pena ser lido, ouvido e pronto. Quero dizer, também não tinha muita opção. Ou a opção que tinha era tão difícil, envolvia tanto esforço, que ninguém se sentia culpado por estar relaxando e entregando na mão deles. Hoje não. Hoje é esse monte de coisa aí no caos total. Veja, eu não estou reclamando, eu gosto disso também. As possibilidades, como dizem. Mas é que esse estado de coisas—com esse tanto de blogs, sites, revistas eletrônicas, vídeos, enciclopédias, discos a serem baixados, artigos etc.—exige que a pessoa tenha uma postura muito mais ativa no processo todo. E eu meio que, numa certa medida, gostava— gosto de ser preguiçoso. O ideal mesmo seria que eu não precisasse passar a quantidade de tempo que eu passo selecionando a coisa que vou dedicar minha atenção entre as muitas que poderiam me interessar ou decidindo em que ordem e por quanto tempo eu vou fazer isso. É isso que dá dor de cabeça às vezes. Ver que eu passei uma, duas horas na net e que saí com uma sensação de vazio total. Eu sei que esse é um problema meu, que sou eu que tenho que resolver. Mas tipo, vamo focar antes que eu me perca completamente. O que eu quero dizer é que diante desse tanto de coisa, disso que David Foster Wallace chamou de Barulho Total, eu, enquanto blogueiro (ah não ri não, é sério), enquanto blogueiro, eu fico meio temeroso de ao fazer um post preguiçoso estar só realimentando o círculo vicioso que vai manter mais gente se sentindo vazia depois de passar uma, duas horas na internet, eu inclusive. Quero dizer, eu sei que o ideal é não levar isso a sério, que um blog é só um blog, tal, faz o teu e pronto, mas é que eu não consigo não pensar nessas coisas. E também não consigo acreditar no blogueiro que diz não estar nem aí pra quem tá lendo o blog dele, mesmo sendo pouca gente. Nesse momento mesmo, me angustia saber que eu posso estar só tomando o tempo de quem tá ouvindo essa entrevista. É verdade que, se ele não se interessa pelas coisas que eu estou dizendo, ele pode sair daqui pra um outro lugar, mudar de rádio, se é que já não fez isso. Mas a questão é só esse medo pelo tempo que ele pode ter perdido até decidir isso, entendeu? É basicamente isso, eu sei que eu poderia ter sido mais sucinto, tal. Respondendo a sua pergunta, eu acho que pra mim ser blogueiro é estar sempre nesse conflito entre, de um lado, ter o monte de informações e querer que elas fossem todas relevantes e saber lidar melhor com elas e por causa disso querer evitar o uso do espaço que tenho apenas para alimentar o monstro do Barulho Total ainda mais e, de outro, querer fazer um post a cada 3 dias, assim, só por diversão e narcisismo.

Comments

Experimenta ter um blog e não ser blogueiro pra você ver o que é bom.

o que mais me angustia em ser blogueiro é esse dinheiro todo que a gente ganha. deus, faço o que com isso? gasto com gogo boys? jatinhos? roller-girls nuas? ó dúvida.

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