« | Main | variações sobre o tema Os blogs como ambientes para boa conversação »

Vou ali defender minha monografia. Mais tarde eu volto pra contar como é que foi.

Update:

Não entrei de moonwalk na sala, não fui interrompido por dançarinas de cancan, e não foi registrado nenhum caso de combustão espontânea de professor. A defesa de minha monografia foi normal, caretinha: quinze minutos de exposição dos parcos dotes de oratória de um estudante nervoso, cujas glândulas sudoríparas passaram a operar no máximo de sua capacidade quando um dos três professores que compunham a banca começou a fazer perguntas sem pé, sem cabeça e sem todo o resto, exibindo sinais claros de que não havia lido sequer uma linha do texto. Mas no geral correu tudo bem. Summa cum laude.

Que o principal elogio tenha sido feito ao escorreito uso do vernáculo,1 num tom de meu-deus-não-acredito-um-aluno-que-sabe-escrever, é algo que de modo pouco sutil mostra em que nível se encontra a mocidade universitária contemporânea. Ó quão triste o atual estado de coisas se havia mesmo necessidade de que isto fosse destacado. Num mundo ideal, a hipótese deveria ser de regra de três simples: bisturi está para cirurgião na mesma razão em que bom português está para o pessoal de minha área. But there's no such thing as an ideal world.

Sendo este o verdadeiro último dia de aula, é natural que exista a expectativa de que eu fale um pouco do que significou para mim passar cinco anos esfregando a bunda em bancos de Faculdade. De como ela me transformou. De como foi importante cada uma das Experiências que tive por lá. Mas opto pelo silêncio, pelo menos por enquanto, não só porque sei que não resistiria à tentação de ser gratuitamente irônico se eu realmente tivesse de falar disso agora, mas também porque ia ser bem difícil dizer i) de que maneira as Experiências que vivi na Faculdade não teriam acontecido caso eu não tivesse passado por ela ou ii) em que aspectos elas (as Experiências) se diferenciam daquelas que todo cara pode ter entre os dezesseis e os vinte e um, seja na UFBA, seja numa roça do interior do Rio Grande do Norte. Além disso, este post não é, nem quer ser, discurso de formatura. Como símbolo maior de meus dias de universitário, fica o fato de eu só vir a descobrir que estava com zero ponto setenta e cinco de miopia, em ambos os olhos, na última semana do último semestre do curso, o que de uma certa maneira revela quanta atenção devotei às coisas que professores escreveram em quadros nos últimos anos.

Hoje a razão para minha felicidade está menos na nota da monografia propriamente dita do que na certeza de que não vou precisar fazer matrícula no semestre que vem, nem no próximo, nem nunca mais.2 No entanto, acho que ainda não posso dizer se o que estou sentindo agora é só puro e simples alívio ou se, apesar de tudo, também já posso divisar no fundo do meu eu3 a pontinha de uma ainda incompreensível nostalgia.4 Por mais contraditório que isto possa parecer.

________
1 Sic.
2 Espero.
3 rs
4 sans rs

Comments

E vc nem avisou! Que zé...
Eu também me formei, mas a greve ainda me impede de colar grau. Visite meu blog, pelo menos... :P

(imaginando você entrando de moonwalk na sala da banca )
Adoro seus textos. Especialmente nas entrelinhas, esse texto mostra bem o curso que você fez.

A esta hora já foi, mas espero que tenha ido tudo bem e tal. Também fiquei curioso. Qual a área?

treina a pronúncia das citações latinas.

Sorte!
Calma e muito sucesso nesse momento.

Ei, poste ela aí, ô!

Boa sorte. Qual é o seu tema?

Post a comment