Todo mundo já soube que aquela banda de barbudos acabou - ou deu um tempo, whatever. Agora, em 2 cliques, você fica sabendo qual frontman fará as coisas mais constrangedoras daqui pra frente. Clique 1*. Clique 2.
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Todo mundo já soube que aquela banda de barbudos acabou - ou deu um tempo, whatever. Agora, em 2 cliques, você fica sabendo qual frontman fará as coisas mais constrangedoras daqui pra frente. Clique 1*. Clique 2.
Aos vinte e poucos anos, as pessoas adquirem o hábito de querer saber o que seus ídolos estavam fazendo quando contavam vinte e poucos anos - e normalmente é isso que está na raiz da auto-indulgência típica da idade. Tipo Ah, mãe, Henry Miller só começou a escrever a sério depois dos quarenta, deixa eu dormir mais cinco minutinhos aê.
Bem, o meu conselho para quem se identificou com o parágrafo anterior é o seguinte: não queira saber o que Stevie Wonder estava fazendo aos vinte e poucos anos.
Não me preocupei em confirmar o dado, mas, de acordo com minhas estimativas, é de 87,8% a probabilidade de que já existam algumas comunidades no Orkut dedicadas às terríveis conseqüências psíquicas que as Rodas de Violão Formadas por Fãs de Legião Urbana produziram nas mentes de toda uma geração. Somos todos vítimas, sim, somos, mas temos de aprender a lutar contra esse bando de filadaputa, pelo bem das gerações futuras. Eu, v.g, durante um tempo, tencionei estudar violão clássico e transformar o instrumento numa arma, porque chegara à conclusão de que só aprendendo violão clássico estaria apto a combater e derrotar as RVFFLU. Apesar de não ter abandonado a idéia por completo, meu objetivo principal deixou de ser somente a vingança. Se antes eu só queria ser um justiceiro e vingar minha geração, hoje já penso até em pleitear uma bolsa de estudos em algum conservatório na Espanha, o que, no momento, não nos interessa, vamos retornar a minha cruzada contra as RVFFLU. Não cheguei a pensar em uniforme, tampouco num bom nome de super-herói, mas minha arma, o violão, seria utilizada toda vez que eu visse uma RVFFLU. Eu me aproximaria do bando, esperaria eles terminarem Faroeste Caboclo (i. e., uns 40 min.) e, humilde, pediria para dar uma palhinha no violão deles. Concentradíssimo, eu ignoraria os pedidos de Eduardo e Mônica e monstruosidades quejandas, executaria algo que fosse 23% disso e, por fim, quebraria o violão na cabeça dos acólitos de Renato Russo. Depois de dar cabo dos malfeitores, eu me retiraria do local numa seqüência de saltos espetaculares que ainda não tive tempo de criar.
Então digamos que você tenha um amigo ou qualquer outra pessoa querida com quem você não se encontra já faz muito, muito tempo, uma contingência que te faz pensar que da próxima vez que vocês se encontrarem aquela pessoa vai ter um monte de estórias interessantes pra contar e vários comentários legais a fazer sobre as coisas que assistiu leu ouviu nesse meio-tempo e que te leva a anmm querer marcar pra pôr o papo em dia, como se costuma dizer. Aí acontece de vocês se encontrarem fortuitamente. Sem marcar, sem nada. E depois de poucos minutos de conversa você vê que o amigo ou a outra pessoa querida não tem outro assunto senão ele/a mesmo/a e só fala de si e de seus (deles/as) Problemas & Questões e continua falando falando falando ininterruptamente por minutos que parecem horas, satisfeito/a em ter não um interlocutor, mas um ouvinte. E no instante em que você percebe que isso está acontecendo, ou mesmo não estando totalmente consciente disso, sua cabeça já quer estar em qualquer outro lugar que não seja aquele em que você está agora e, enquanto se esforça pra manter uma cara que signifique veja fulano estou prestando atenção em tudo o que você está dizendo, começa a pensar insistentemente ai fulano meu deus do céu eu preciso comprar pão antes de voltar pra casa a padaria vai fechar e sem querer passa a torcer pra que seu amigo/pessoa querida pelamordedeus pare, pare de falar e dê a deixa pra que você diga poxa quanto tempo que pena que você me pegou nessa correria mas vê se aparece aí ô não some não. E isso é tipo que nem o blog que você deixou de visitar por uns dias e quando voltou percebeu que o blogueiro passou todo esse tempo só falando de si de si de si e de si, com a diferença de que em blog você não precisa fazer cara de diga diga diga tô te ouvindo, em blog você enche o saco em um segundo e no segundo seguinte, quando vê, já é X.
Vou ali defender minha monografia. Mais tarde eu volto pra contar como é que foi.
Update:
Não entrei de moonwalk na sala, não fui interrompido por dançarinas de cancan, e não foi registrado nenhum caso de combustão espontânea de professor. A defesa de minha monografia foi normal, caretinha: quinze minutos de exposição dos parcos dotes de oratória de um estudante nervoso, cujas glândulas sudoríparas passaram a operar no máximo de sua capacidade quando um dos três professores que compunham a banca começou a fazer perguntas sem pé, sem cabeça e sem todo o resto, exibindo sinais claros de que não havia lido sequer uma linha do texto. Mas no geral correu tudo bem. Summa cum laude.
Que o principal elogio tenha sido feito ao escorreito uso do vernáculo,1 num tom de meu-deus-não-acredito-um-aluno-que-sabe-escrever, é algo que de modo pouco sutil mostra em que nível se encontra a mocidade universitária contemporânea. Ó quão triste o atual estado de coisas se havia mesmo necessidade de que isto fosse destacado. Num mundo ideal, a hipótese deveria ser de regra de três simples: bisturi está para cirurgião na mesma razão em que bom português está para o pessoal de minha área. But there's no such thing as an ideal world.
Sendo este o verdadeiro último dia de aula, é natural que exista a expectativa de que eu fale um pouco do que significou para mim passar cinco anos esfregando a bunda em bancos de Faculdade. De como ela me transformou. De como foi importante cada uma das Experiências que tive por lá. Mas opto pelo silêncio, pelo menos por enquanto, não só porque sei que não resistiria à tentação de ser gratuitamente irônico se eu realmente tivesse de falar disso agora, mas também porque ia ser bem difícil dizer i) de que maneira as Experiências que vivi na Faculdade não teriam acontecido caso eu não tivesse passado por ela ou ii) em que aspectos elas (as Experiências) se diferenciam daquelas que todo cara pode ter entre os dezesseis e os vinte e um, seja na UFBA, seja numa roça do interior do Rio Grande do Norte. Além disso, este post não é, nem quer ser, discurso de formatura. Como símbolo maior de meus dias de universitário, fica o fato de eu só vir a descobrir que estava com zero ponto setenta e cinco de miopia, em ambos os olhos, na última semana do último semestre do curso, o que de uma certa maneira revela quanta atenção devotei às coisas que professores escreveram em quadros nos últimos anos.
Hoje a razão para minha felicidade está menos na nota da monografia propriamente dita do que na certeza de que não vou precisar fazer matrícula no semestre que vem, nem no próximo, nem nunca mais.2 No entanto, acho que ainda não posso dizer se o que estou sentindo agora é só puro e simples alívio ou se, apesar de tudo, também já posso divisar no fundo do meu eu3 a pontinha de uma ainda incompreensível nostalgia.4 Por mais contraditório que isto possa parecer.
Em agosto estréia o filme dos Simpsons, e é natural que daqui pra frente comecem a abundar matérias como essa, da Vanity Fair, que ainda não li, mas lerei.
De acordo com o Buzzca, diretório de blogs e podcasts1 que apareceu por esses dias, meu blog, "o próprio nome diz, trata da vida desse moço, o Tiago. Mas não é uma tarefa entediante".
Não é a melhor definição, mas fica o consolo de que podia ser pior. Para o Buzzca, o blog do Negão do Pau Mole2 é um "blog pessoal que fala de política".
"At ten minutes to seven that evening he emitted an abrupt threefold groan, his heart stilled, and he was dead."
(BOYD, Brian. Vladimir Nabokov: the american years. p. 661)